Eu nunca conheci a Mulher.
Eu já amei e odiei mulheres.
Não entendo muito bem um dia para a mulher.
Não haverá nessa classificação, nessa generalização um desejo de fazê-las compreensíveis, por medo de sua diversidade?
Não existe a mulher.
Existem a mulher de burka, a mulher sem clitóris, a prostituta, a freira, a mãe de família.
Existem a perua, a piranha, a modelo, a bondosa, a malvada- tão cantada em verso e prosa.
Existem Eva e Virgem Maria, a pobre, a bela, a rica, a feia, a gostosa, a histérica.
A Mulher talvez tenha sido invenção dos machos.
E sempre que chega esse Dia Internacional das Mulheres, nós machistas escrevemos sobre elas, elogiando o lado " abstrato" das fêmeas, sua delicadeza, sua capacidade de perdão, coragem e beleza, em suma, textos de uma hipocrisia paternalista, como se falássemos de pobres vítimas eternas.
Claro que na história da humanidade, as mulheres foram oprimidas, humilhadas, estupradas na alma e no corpo.
Tudo bem, mas no meu caso eu sempre fui vítima das mulheres; melhor dizendo, de certa forma, eu sou hoje o que as mulheres fizeram comigo, ou, melhor ainda, eu sou o que eu aprendi com elas, no amor ou no sofrimento.
Na paixão ou no ódio, minha personalidade aflorou e a a cada mulher eu descobri traços que me formam hoje, como acidentes que foram me desfigurando.
Elas eram quebra- cabeças: ao tentar armá-los , eu aprendia novos labirintos, descobrindo que eu também era sem forma e sem lógica, e que sempre faltará uma peça- para as mulheres e para os homens também.
Claro que é um preconceito essa mania de dizermos que as mulheres são incompreensíveis, mas nessa confusa cabeça há uma verdade indeterminada mais profunda do que as ilusões das certezas masculinas. Ah, isso há......"
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